Como os cães percebem o tempo

Retirado do site: http://hsw.uol.com.br/

A maioria dos cães não se atrasa para a refeição. Eles sabem exatamente onde devem estar, na mesma hora, todos os dias. E também sabem quando esperar a volta de seus donos e, com a precisão de um relógio, aguardam pacientemente em frente à porta por eles. Quando se observa esse comportamento, é possível supor que os cachorros têm uma sofisticada compreensão do tempo. Mas como realmente é isso funciona para um cão?

Dizem que um ano para os humanos equivale a sete para os cachorros. No entanto, o que essa teoria nos diz sobre a percepção do tempo para esses animais? Na verdade, muito pouco. A idéia de “anos caninos” vem da expectativa de vida deles comparada com a dos humanos. Então, não seria correto aplicar essa idéia ao conceito de percepção do tempo.

Os cães percebem o passar do tempo da mesma maneira que um humano?

Para entender como percebem o tempo, primeiro precisamos compreender como os humanos notam o tempo. De acordo com estudos, cada pessoa percebe o passar dos anos de maneiras diferentes em situações distintas. Albert Einstein já explicou o princípio da relatividade dizendo que “quando um homem se senta ao lado de uma mulher bonita por uma hora, sente como se tivesse passado um minuto. No entanto, se ele se sentar sobre um fogão quente por um minuto, com certeza esse tempo parecerá uma eternidade. Essa é a relatividade” [fonte: Shapiro].

Mesmo que a percepção do tempo seja relativa para cada indivíduo, todos os humanos pensam nela de maneira parecida. Por exemplo, nossas memórias estão intrinsecamente ligadas à forma como percebemos o passar do tempo. Nossa capacidade de relembrar acontecimentos em uma ordem específica é muito importante para essa percepção. Também somos capazes de prever coisas. Embora nem todos se considerem videntes, cada um de nós conta com determinados acontecimentos no futuro, mesmo que seja apenas supor que o sol irá aparecer no dia seguinte. Essas capacidades têm significados importantes. Por exemplo, a memória e a previsão nos permitem ter uma sensação de continuidade, história pessoal e autoconhecimento.

Os cães e outros animais têm essas mesmas capacidades? Se você entrasse na mente de um cachorro, será que encontraria uma lembrança dele roendo um osso hoje pela manhã? Leia a próxima página para descobrir como você se sentiria se fosse um cão.

Como funcionam as lembranças de um cão

As pesquisas sobre a maneira como os cães percebem o tempo são limitadas. No entanto, podemos aprender mais sobre isso quando observamos a extensa análise feita com outros animais, como roedores, pássaros e primatas. Em seus estudos sobre a maneira como os animais percebem o tempo, o pesquisador do comportamento animal William Roberts tirou algumas conclusões notáveis em relação às lembranças dos animais, expectativas, entre outras coisas. Ele diz que os bichos estão “parados no tempo” [fonte: Roberts (em inglês)]. Com isso, quer dizer que sem as capacidades sofisticadas necessárias para perceber o passar dos anos, como realmente guardar lembranças, os animais vivem apenas no presente. Roberts acredita que estão “parados no tempo” porque não conseguem “viajar pelo tempo” mentalmente. Os humanos conseguem relembrar memórias específicas e antecipar acontecimentos de maneira consciente e intencional. Os animais não.

Para muitos, essa parece ser uma teoria enganosa. Afinal, nós podemos treinar os animais, certo? E esse treinamento não depende das lembranças dos próprios animais?

Não necessariamente, pelo menos não da maneira como costumamos pensar nas lembranças, de acordo com Roberts. Os animais podem ser treinados para fazer determinadas coisas do mesmo modo como crianças são treinadas. De acordo com pesquisas sobre crianças, com quatro anos de idade elas já aprenderam muitas coisas, como engatinhar e andar, mas ainda não possuem a capacidade mental para conseguir lembrar onde e como essas coisas foram aprendidas [fonte: O’Neil (em inglês)]. Em outras palavras, elas não possuem a memória episódica, ou a capacidade de relembrar acontecimentos específicos no passado. Um cão sabe como responder ao comando “senta” sem ter a lembrança do momento específico em que ele aprendeu isso.

No entanto, essa não é a única coisa que acontece no cérebro do cão para ajudá-lo, por exemplo, a prever perfeitamente a hora de chegada de seu dono. Processos biológicos internos também exercem suas funções, de acordo com Roberts. Os pesquisadores descobriram através de experiências com pombos que um “relógio interno” permite que eles aprendam quando e onde a comida (em inglês) estará disponível [fonte: Saksida (em inglês)]. De maneira parecida, os cães podem usar os osciladores circadianos, que são oscilações diárias de hormônios, temperatura corporal e atividade do sistema nervoso, para saber quando é provável que a comida esteja na tigela ou quando os donos voltarão do trabalho. Em vez de lembrar a quantidade de tempo entre as refeições ou a hora em que elas são servidas, os cães reagem a um estado biológico que eles alcançam em um determinado momento do dia. Então, todos os dias eles reagem a esse estímulo da mesma maneira e no mesmo horário.

Se os animais não conseguem guardar as lembranças como os humanos fazem, será que eles conseguem planejar o futuro? Na próxima página, vamos aprender o que os cães entendem sobre o amanhã.

Os animais conseguem aprender e planejar sem ter uma noção do tempo?

Os seres humanos têm duas capacidades importantes para ajudar a entender o tempo: são capazes de lembrar de uma seqüência de acontecimentos e podem prever necessidades e eventos futuros. Estudos mostram que os animais podem ter essas capacidades, mas em menor proporção.

Os cientistas testaram as memórias de trabalho (memória de curto prazo) e as memórias de referência (longo prazo) dos bichos para ver como eles se recordam de uma seqüência de acontecimentos. Nos testes de memória de trabalho, os pombos e os primatas precisavam se lembrar de uma seqüência para conseguir bicar ou apertar na ordem certa mais de uma vez. Caso conseguissem, ganhavam uma recompensa [fontes: Parker, Devine (em inglês)]. Eles se saíram muito bem nessas tarefas, mas a memória deles desapareceu rápido. Roberts acredita que eles provavelmente estavam aprendendo da memória mais fraca até a mais forte, ao invés de “aprender” ou “relembrar” uma seqüência.

Outros pesquisadores descobriram que os pombos e os macacos (em inglês) tiveram um bom desempenho em testes de memória de referência em que precisavam lembrar de uma seqüência depois de um intervalo entre o aprendizado e a análise [fontes: Straub (em inglês), D’Amato]. No entanto, foi necessário um treinamento longo para que aprendessem essas seqüências, o que sugeriu para Roberts que essa capacidade não era natural nesses animais. De acordo com os testes, parece que os animais percebem o tempo de uma maneira diferente dos humanos, que possuem uma memória relativamente confiável e sofisticada da ordem dos acontecimentos.

Além disso, não parecem prever muito bem as necessidades futuras e as recompensas, o que sugere para os pesquisadores que não possuem uma noção de futuro. Por exemplo, quando tiveram a oportunidade, os pombos escolheram uma recompensa menor e imediata ao invés de esperar por uma maior no futuro [fonte: Rachlin, Tobin]. Em outro teste, os pesquisadores ofereceram aos primatas a oportunidade de escolher entre uma ou duas bananas. De maneira compreensível, eles escolheram duas bananas. No entanto, quando a quantidade da fruta nas duas opções aumentou, eles começaram a apresentar menos preferência. Como no momento não estavam com fome o suficiente para comer 10 bananas, escolheram cinco  na metade das vezes [fonte: Silberberg]. A partir dessas experiências, Roberts conclui que esses animais procuravam satisfazer a fome imediata e não planejavam para as necessidades futuras. Isso é bastante improvável para os humanos, que geralmente usam razão e premeditação para prever as necessidades futuras, desde levar o almoço para o trabalho até investir em um plano de aposentadoria.

E os esquilos e outros bichos que acumulam comida para os meses futuros de inverno? Esse comportamento parece indicar que prevêem as necessidades futuras. Mas na verdade, talvez não. Estudos indicam que eles não param de guardar comida mesmo quando os seus estoques desaparecem de maneira inexplicável. Isso pode significar que não entendem o motivo de guardarem comida, o que ela significa para o futuro ou até mesmo o que é o futuro. Eles simplesmente fazem isso devido ao instinto [fonte: Roberts]. Os humanos, por outro lado, entendem seus planejamentos e mudam rapidamente suas estratégias quando os planos dão errado.

Se os animais estão “parados no tempo,” como Roberts sugere, isso pode significar que entender o tempo é uma capacidade única do ser humano. Então que tal tentar aprender alguma coisa com a percepção canina e despreocupada de “viver o momento”?

Para ler mais sobre cães e suas capacidades incríveis, explore os links na próxima página.

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